Uma Produção de Kim Jong-Il escrito por Paul Fischer

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A obra de Paul Fisher, que é produtor e escritor, nascido na Arábia Saudita, mas criado na França, é seu primeiro livro. Por meio da Editora Record (muito obrigada pelo envio do livro), foi possível conhecer essa obra incrível. Obviamente, não conhecia nada do autor ainda, mas a obra é incrível. A verdade é que estudo coreano pelo Instituto King Sejong, aqui na minha universidade, e tenho muito interesse pela cultura coreana. Assim, o livro foi uma ótima leitura. Não me decepcionou em nenhum aspecto. Também o trabalho jornalístico do autor é tão bom. Ele explica exatamente como conseguiu cada informação de forma detalhada. E de que forma a história é considerada verdadeira. E o livro tem um conjunto de imagens, que ajudam muito a visualizar a história.

Shin concordou e Kim continuou: "O Estado paga tudo para essas pessoas. Elas não precisam trabalhar por comida. Assim, nesse sistema, escrever roteiros se tornou apenas um passatempo para os roteiristas, pois eles não precisam se preocupara com ganhar dinheiro para se alimentar. Eu disse a nossos trabalhadores de propaganda, certa vez, que existe um problema real no socialismo: nenhum incentivo para o sucesso."

A narrativa conta a história de Choi Eun-hee e Shin Sang-ok, desde seu nascimento até o final da sua trajetória de vida, com isso conta também a história das duas Coréias (que é muito bem recontada, e com detalhes que nos fazem sentir junto com Choi e Shin nos acontecimentos), e de Kim Il-sung (primeiro líder da Coréia do Norte) e Kim Jong-Il (seu filho e segundo líder da Coréia do Norte), desde seus nascimentos, até os dias de hoje (com o máximo possível de proximidade com a realidade, já que é muito difícil confirmar os fatos deste país). E com foco principal no sequestro e em como Choi e Shin viveram os 8 anos que passaram obrigados na Coréia do Norte.


Um livro muito bem estruturado, escrito e encaixado de forma que foi muito interessante de entender cada fato, acontecimento e contexto de toda a história. Em um primeiro momento se pensa se a história é mesmo real e não inventada, ficcional, de tão louco que é pensar em um país como a Coréia do Norte, que é tão misterioso. Mas no início em “Uma nota sobre fontes, métodos e nomes” e no final no “Posfácio” fica claro que a história é verdadeira. Outra coisa que chama muita atenção é toda a forma de lidar com o cinema na Coréia do Norte, a propaganda, a ideologia Juche de Kim Il-sung, e tudo que cerca a forma de vida das pessoas deste país até hoje. De forma que nos perguntamos como foi possível a criação de uma ditadura como essa? E tudo isso é respondido no livro, assim com a influência que o cinema, a televisão e as artes (a diversão do povo) tem sobre uma população, quando administradas para o aprisionamento de consciência e com a famosa “semente” que influencia de forma terrível a ideia de liberdade, de felicidade e de viver das pessoas.  

O que Yura Kim (nome antigo de Kim Jong-Il) de fato possuía era um senso de narrativa, drama e espetáculo, a compreensão da criação dos mitos e de seu poder. E não aprendeu nada disso estudando política, religião ou história. Não, o que Kim Jong-Il aprendeu, e então construiu na Coréia do Norte, ele aprendeu com os filmes.

Uma produção de Kim Jong-Il: a incrível e verdadeira história da Coreia do Norte e do sequestro mais audacioso de que se tem notícia é uma história para aqueles que querem repensar sobre o cinema e a mídia de forma geral, descobrir os grandes segredos por trás da Coréia do Norte (na visão do autor) e de seus ditadores, mas também para aqueles que querem pensar nas atrocidades que podem ser realizadas por um ser humano movido pelo seu egoísmo. 


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