Livro da Editora Bertrand Brasil (uma Editora que é muito conhecida por suas obras clássicas), e escrito por Tracy Chevalier, que é autora também do best-seller: Moça com Brinco de Pérola, que para falar a verdade, ainda não li – rs - quando descobri sobre o best-seller, o filme sobre o livro já tinha saído, então como gosto sempre de ler os livros antes de ver os filmes, fui deixando a leitura para depois, mesmo ouvindo que a história foi muito elogiada. A última Fugitiva recebi de presente de Natal, e quando vi que era a mesma autora do best-seller, decidi ler o livro com bastante calma, já que o cerne das histórias dessa autora são sempre contextualizadas em épocas históricas muito complicadas. Assim, finalmente li o livro, em uma semana (ele não é grande, só que me enrolei para ler – rs). Não vou mentir, achei o rumo da história um pouco diferente do que esperava, mas o final surpreendeu demais. Então gostei muito quando terminei.
- Você se acostuma. É melhor estar sozinha. Isso aqui – a mulher mostrou a floresta em volta – é segurança. A natureza não vai me escravizar. Pode me matar de frio, de doença, os ursos podem me atacar, mas é pouco provável. O perigo está lá – ela apontou a estrada. – Pessoas são perigosas.
A história remete a época de 1850 nos Estados Unidos da América, mas também, mesmo sem se passar na Inglaterra, a personagem principal foca muito na história desse país. É quase uma discussão histórica e cultural entre os dois países. A história inicia com a viagem das irmãs Honor Bright (achei muito interessante as ligações que podem ser feitas entre o nome da personagem principal e a história em si) e Grace Bright da Inglaterra, mais precisamente, de Bristol para a cidade de Faithwell em Ohio, nos Estados Unidos, ou como dito no livro, uma viagem para as Américas. A irmã de Honor, Grace decide viajar para se casar com Adam Cox, que vive em Faithwell com o irmão, que está doente, e a cunhada. Pelas cartas que ele envia a Grace, a vida nas Américas parece prosperar. Assim Honor embarca junto na aventura, e no navio Adventurer, por culpa de uma desilusão amorosa em sua cidade natal.
A questão é que a história não é só uma ficção histórica, retratando incrivelmente o contexto da época, mas também mostra as entranhas da “Ferrovia Subterrânea” dos escravos fugitivos, e da escravidão nos Estados Unidos da Época, que vou dizer, não é bonita. E mostra as ideias de um povo religioso, denominado Quaker (um povo originário do movimento protestante britânico que aposta, até hoje, na restauração da fé cristã e que procura o simplismo e o pacifismo, como vai poder se perceber no livro), sobre o qual eu não sabia nada, até esse livro (leitura é aprendizado sempre – rs). E também a relação política e econômica desse grupo e de outros com os escravos. O que nos mostra o porquê de certas raízes culturais americanas dos dias de hoje.
Os personagens, todos, são I-N-C-R-Í-V-E-I-S. É sério, claro que nunca simpatizamos com todos, mas nessa história eles evoluem, são vivos e cheios de emoções, fazendo parecer que existiram de verdade (sobre esse ponto há uma surpresa na parte dos agradecimentos da autora).
Pelas lindas cartas, pela narrativa simplista e emotiva do livro (além do MAPA que ele tem – quem não gosta de livros com mapas, né? – rs), pela reflexão que ele nos proporciona e pelo final incrível, que vale a pena a leitura até o final, é que recomendo esse livro, para quem quer adquirir um pouco de cultura histórica, com um toque de drama, e para quem ama uma ficção histórica.
- Sempre que vejo um fugitivo, de qualquer cor, tenho de ajudar. Faz parte de mim.









































