Essa é a resenha sobre o terceiro livro de uma série, mas não te preocupa, pois não há spoilers dos livros anteriores!
Vou lhe dar uma pequena profecia, Locke Lamora, do melhor modo que eu vi. Três coisas você deve tomar e três coisas você deve perder antes de morrer: uma chave, uma coroa e uma criança. – Paciência puxou o capuz por cima da cabeça. – Você vai morrer quando cair uma chuva de prata.
Sejam bem-vindos queridos leitores, eis a chegada do terceiro ato da ilustre história dos Nobres Vigaristas. Locke Lamora se encontra mais uma vez à beira da morte, enquanto Jean Tannen tenta desesperadamente buscar um alquimista que possa curar seu amigo em Lashane. Contudo, é nesse momento crucial, quando todas as esperanças parecem se dissolverem ainda mais a medida que a vida do nosso querido protagonista se esvai, que a ajuda chega através de que alguém que todos menos esperavam, mas se você está pensando que tudo não passou de um golpe de sorte, fique sabendo que é apenas mais uma grande dÃvida a ser paga. Não podemos esquecer do que nos foi falado no primeiro livro As Mentiras de Locke Lamora: achamos que os deuses o estão poupando para uma morte realmente grandiosa. Algo com facas e ferro incandescentes e cinquenta mil espectadores aplaudindo.
– Bom, você gostaria que eu intervisse antes que seus dentes sejam arrancados a socos ou isso faz parte do plano?
– Se eu estiver certo, você não vai precisar. Se eu estiver errado, concedo-lhe licença plena para um “eu avisei” quando eu estiver consciente outra vez, com um acréscimo de “seu escroto idiota”, de você quiser.
Embora o preço da dÃvida possa ser alto, as circunstâncias são tentadoras demais e é assim que de volta ao serviço, Locke e Jean chegam a cidade de Kartane a fim de trabalharem para seus arqui-inimigos, os Magos-Servidores, em uma disputa polÃtica envolvendo muito trabalho sujo. Em A República de Ladrões, além acompanharmos toda a manipulação dos votos, no partido opositor ao nosso Nobre Vigarista, conhecemos Sabeta Belacoro, a menina dos olhos de Locke, por quem nosso protagonista se encontrar profundamente apaixonado desde a sua infância, uma mulher inteligente de mente afiada, cujas habilidades criminosas se iguala ao do protagonista.
Ah, senhores! O terceiro livro da série foi rápido, de uma maneira boa, muito boa! Scott Lynch a todo o instante te instiga a continuar lendo até o final sem parar, ele acertou de mão cheia tudo o que falar nesse momento da história, costurou algumas pontas para nos mostrar que haviam outras soltas e escondidas, como, por exemplo, o misterioso passado de Locke Lamora e o seu verdadeiro nome.
Até agora, não é nenhum mistério que para mim os personagens são carismáticos, Locke e Jean Tannen nos divertem, ao mesmo tempo que nos deixam apreensivos com relação aos seus destinos. A opção do autor de paralelamente nos contar sobre determinados fatos envolvendo o passado dos personagens faz com que criemos uma empatia direta com os Nobres Vigaristas e também nos devolve as figuras de alguns personagens que já não fazem parte diretamente da trama. Dessa vez acompanhamos a adolescência dos rapazes, e com isso você pode ter certeza de que eles estão com os hormônios a flor da pele e ainda mais impossÃveis. Padre Correntes, o mentor desse grupo, que o diga...
“Aqui está um cavalo orgulhoso e um falcão treinado e valente,
Mas o que você deve ver mesmo é este pinto excelente!”
– Onde você aprendeu isso?! - gritou Correntes.
Caldo explodiu num ataque de risos, mas Galdo continuou a canção com uma expressão impassÃvel:
“Alguns pintos acordam cedo e alguns crescem bastante
Mas o pinto em questão trabalha mais que o restante!
Trabalhar é uma virtude, eu concordo e não minto,
E então, queridinha, venha segurar o meu...”
Cada livro possui uma surpresa prazerosa, em As Mentiras de Locke Lamora somos apresentados aos Nobres Vigaristas trabalhando como ladrões mesmo, digamos que, em campo, em Mares de Sangue exploramos com eles os cenários náuticos e em República de Ladrões estamos com eles no palco de um teatro. Posso afirmar que um livro é melhor do que o outro e cada um superou a expectativa deixada pelo anterior, esse último então, nem se fala.
Bom, por fim devo falar também que em meio a toda a tensão, há muitos momentos cômicos, como você já puderam perceber, e todos estavam ali na medida certa, dentre eles a criatividade dos nossos protagonistas na hora de xingar, não pense nos comuns FDP, M* ou droga, é mais como: você é mais lento do que um peido embaixo da água, ganancioso filho de um penico e de um peido fedorento e assim por diante. Minha vontade era a de marcar todos, rsrs...
– Os nomes falsos são divertidos – falou Calo. – Me chamem de Tapadão Paupequeno.
– Nós precisamos de identidades falsas, não de resumos biográficos – replicou Galdo.
Não vejo a hora de ter em mãos o quarto volume, O Espinho de Emberlane, preciso urgentemente saber o que Scott Lynch reservou ao nosso protagonista e mais sobre o passado misterioso do Nobre Vigarista. Eu estou apostando que vem guerra por aÃ...
Obrigada à Editora Arqueiro pelo enviou desse exemplar para resenha, ele vai ser guardado com muito carinho!
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