Publicado originalmente em 1968, O Feiticeiro de Terramar é o primeiro volume da trilogia Ciclo de Terramar escrito pela autora, já conhecida por muitos, Ursula K. Le Guin. No presente livro acompanhamos a história de Ged, antes dele ter se tornado o lendário e poderoso mago Gavião, ou seja, o conhecemos desde sua infância quando o seu dom para a magia despertou, passando pela adolescência, aquele perÃodo em que somos impacientes, impulsivos e propensos a cometer uma maior quantidade de erros sem pensar nas consequências. Ged, cego pela vaidade e pelo orgulhoso, acaba libertando um poderoso mal e com isso terá que aprender a lidar com esse fardo que o atormenta e a responsabilidade que assume em sua jornada para consertar o erro que ele mesmo cometeu.
Nunca lhe ocorreu que o perigo ronda o poder como a sombra persegue a luz? A feitiçaria não é um jogo que jogamos por diversão ou para receber elogios. Pense nisto: toda a palavra, todo ato de nossa arte, é falada e é feita para o bem ou para o mal. Antes de você falar ou fazer, tem que saber o preço a pagar!
Foi com muita surpresa que comecei a leitura do livro, deixa eu explicar, nos dias de hoje quando alguém chega para você e fala que leu um livro de fantasia como você imagina o enredo desse tal livro? Falando sério, na minha mente logo vem a imagem de batalhas épicas, guerreiros empunhando espadas, luz contra trevas e por aà vai. Não é assim mesmo?
Bom, quando eu vi que não era bem isso minha bola baixou, fiquei meio amuada, pensando que essa provavelmente não seria uma das melhores resenhas que eu faria, não haviam muitas passagens longas de sistemas e sistemas de magia, parecia claro e direto demais, o protagonista mago não me parecia assim tão poderoso, ele por vezes era irritante. Mas, em algum momento da metade do enredo para o final meu cérebro deu um clique e nesse instante tomei um belo tapa na cara. Peço pelo perdão da palavra que vou usar, mas: porra, eu estava no meio de uma fantasia clássica. Aquele gostinho de T.H. White e C.S. Lewis.
Somente no silêncio a palavra, somente nas trevas a luz, somente na morte a vida: o voo do falcão brilha no céu vazio.
Havia uma jornada, uma grande e sútil jornada, disfarçada naquelas palavras simples destinada aos old-kids de 1968, o pessoal que hoje denominamos de Young Adult. Antes que você pense, não, o final não culminou em uma batalha épica que me fez agarrar o livro como se minha vida dependesse daquilo, mas se trata de autoconhecimento do que carregamos dentro de nós, nem tudo é preto e branco, nem todos são inteiramente santos ou demônios. Pera lá que eu não vou revelar nada, mas saiba que da água de Ursula k. Le Guin beberam muitos autores de fantasia atuais que conhecemos dentre eles foram citados na contracapa do livro Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman, senti que Christopher Paolini também (se bem que ele bebeu de muitas fontes).
Sim, precisei retirar aquele fino véu dos meus olhos, fruto de obras da fantasia contemporânea, e passei a tentar observar essa obra de acordo com sua época, devo acrescentar que foi profundamente esclarecedora a nota final da autora (leitura obrigatória!) e uma parte importante para a formação da minha opinião.
O Feiticeiro de Terramar é um livro agradável e de rápida leitura, um dia basta para você mergulhar na jornada de Ged, pois é disso que a literatura fantástica é feita também, nem tudo é apenas grandes batalhas e tramas polÃticas profundamente elaboradas, ela é acima de tudo uma jornada sobre heróis, vilões, vigarista e de personagens humanos que convivem com o bem e o mal dentro de si.
Sim, precisei retirar aquele fino véu dos meus olhos, fruto de obras da fantasia contemporânea, e passei a tentar observar essa obra de acordo com sua época, devo acrescentar que foi profundamente esclarecedora a nota final da autora (leitura obrigatória!) e uma parte importante para a formação da minha opinião.
O Feiticeiro de Terramar é um livro agradável e de rápida leitura, um dia basta para você mergulhar na jornada de Ged, pois é disso que a literatura fantástica é feita também, nem tudo é apenas grandes batalhas e tramas polÃticas profundamente elaboradas, ela é acima de tudo uma jornada sobre heróis, vilões, vigarista e de personagens humanos que convivem com o bem e o mal dentro de si.







































