A obra O Pintor de Memórias escrito por Gwendolyn Womack, como seu romance de estreia, é uma mistura de ciência, romance, religião e ficção tudo ao mesmo tempo. Se isso é possÃvel (rs). Não vou mentir, quando iniciei a leitura demorei para pegar o embalo da história, que já no inÃcio é muito interessante, mas ao mesmo tempo, nós só entendemos o que os personagens entendem, ou seja, que personagem está confuso, nós também estamos. E isso me perturbou um pouco no inÃcio da leitura, porque queria muito saber o enredo logo de cara. Mas, percebi que esse é o charme da obra, é seguir os passos conforme os personagens vão descobrindo a verdade. O final é espetacular e traz um fechamento sem realmente terminar a obra, deixando um gostinho de quero mais.
Bom, a história é sobre um homem em seus trinta anos, chamado Bryan, ele é um pintor anônimo famoso que mora em Boston, em um apartamento/estúdio quase vazio, e ele tem muito talento. Suas obras parecem adquirir vida para quem as vê, são realÃsticas e cheias de emoção. A questão é que seus quadros guardam um segredo. Todos foram pintados a partir de memórias do próprio pintor, que na verdade retratam suas diversas (e eu digo que são muitas mesmo) vidas passadas. Elas se passam em muitas eras e lugares diferentes: da Grécia Antiga a Rússia no séc. XVIII, do Japão na era Edo ao Egito Antigo em 10000 a.C. E muitos outros lugares, que se conectam todos com um presente próximo na vida de um grupo de neurocientistas também de Boston de 1982, e com o presente em que Bryan vive. Além das memórias vÃvidas que aparecem para ele em momentos totalmente inusitados, o personagem principal recebe todas as sensações que viveu em outras vidas, assim como de repente aprende as lÃnguas que já conheceu e as habilidades que já teve um dia.
No meio disso tudo, ele pode reconhecer as pessoas que já estiveram em suas vidas passadas, já que os olhos são as janelas da alma. É em uma visita ao Museu de História Natural que ele troca olhares com uma mulher chamada Liz, que ele acredita ser o amor da sua vida que o acompanhou em todas as suas existências. A partir daà eles precisam juntos desvendar um mistério de muitas eras atrás para poderem encontrar aquele que já os assassinou e separou em muitas vidas, que está à procura deles novamente.
Quando ela se virou para ele, fitou-a, sem conseguir se desviar, enquanto reconhecia vidas inteiras escondidas naqueles olhos. Ao encontrá-la naquele momento, soube, sem sombra de dúvida, que as visões que o assaltavam desde a infância eram, na verdade, memórias. Era algo que vinha tentando se convencer havia muito tempo: que, de alguma forma, seus sonhos eram peças de um passado que pertencia à sua alma. Agarrar-se a essa crença o havia ajudado a conservar a sanidade. As pessoas que povoavam suas visões de fato existiram, como tinha constatado em livros de história, mas, mesmo assim, ele temia que estivesse se iludindo... até encontrá-la, porque imediatamente teve a certeza inabalável de que ela havia compartilhado com ele todas aquelas vidas.
Assim, com personagens cativantes, amáveis, um enredo muito interessante, o livro nos arrebata até o fim. Com uma escrita fácil, mas que também possui muitas referências históricas, algumas reais outras nem tanto, que se interligam todas, de uma forma chocante, nos fazendo querer pesquisar tudo que lemos na obra. Misturando todo tipo de religião e muito da neurociência, se torna uma história muito maior do que apenas um amor que atravessa vidas e eras, mas também traz uma reflexão sobre a origem do ser humano, nosso papel no mundo e sobre nosso futuro no planeta.
Por isso recomendo esse livro para quem gosta de um bom romance que mistura ficção e história humana. Além é claro de ser um enredo que tem muitos outros enredos de cada uma das vidas de Bryan e dos outros personagens, ou seja, um livro que não conta uma história só, mas muitas outras em lugares diferentes e em tempos diferentes que incrivelmente se conectam.
Ela tomou as mãos de Tot nas suas e disse:
- Nossos destinos estão interligados. Vou procurar e encontrar você de novo até voltarmos a esta vida. Nada jamais se perde.
Obrigada Editora Record pelo envio do exemplar!



